Parece gozação, como diria ‘o outro’: Ele, o Marx, deve estar se
estrebuchando no túmulo diante de tanta heresia. A pedra basilar do capitalismo
– a propriedade privada – investindo contra a ‘herança’ do velho, que diante de tanta baboseira do
capitalismo nunca pareceu tão atual.
"É uma loucura 'privatizar' Marx
Editora britânica que tirar do ar o MIA -
Obras Completas de Karl Marx e Friedrich Engels, alegando que possui os
direitos autorais das obras.
A crise econômica e financeira global produziu um renovado
interesse em Karl Marx. Algumas semanas atrás, o New York Times lançou um
debate com renomados economistas sobre o tema “Marx estava certo?”
O recente livro de Thomas Piketty, O capital no século XXI, trava um diálogo implícito com Marx sobre como entender o capitalismo e confrontar suas contradições. É triste o fato de, neste momento, a editora Lawrence & Wishart estar forçando o Marxist Internet Archive (Arquivo Marxista na Internet – MIA) a tirar do ar as Obras Completas de Karl Marx e Friedrich Engels que estavam hospedadas nesse repositório com a autorização da editora. É particularmente triste que esta última tenha insistido para que as obras sejam retiradas antes do 1° de maio, quando se celebra no mundo inteiro a solidariedade dos trabalhadores.
O recente livro de Thomas Piketty, O capital no século XXI, trava um diálogo implícito com Marx sobre como entender o capitalismo e confrontar suas contradições. É triste o fato de, neste momento, a editora Lawrence & Wishart estar forçando o Marxist Internet Archive (Arquivo Marxista na Internet – MIA) a tirar do ar as Obras Completas de Karl Marx e Friedrich Engels que estavam hospedadas nesse repositório com a autorização da editora. É particularmente triste que esta última tenha insistido para que as obras sejam retiradas antes do 1° de maio, quando se celebra no mundo inteiro a solidariedade dos trabalhadores.
O MIA é uma extraordinária fonte para estudiosos e
ativistas, que dá acesso livre às obras não apenas de Marx e Engels, mas de
muitos outros pensadores socialistas. A Lawrence & Wishart se apresenta
como uma editora que luta pela preservação de seus direitos autorais
(copyright) sobre as Obras Completas para evitar um “suicídio institucional”.
Esclareceu que “o trabalho necessário para produzi-las exigiu anos de pesquisa
documental, recompilação e organização, a contratação de centenas de
tradutores, assim como o trabalho acadêmico sobre as referências e o contexto”.
Isso, com certeza, é verdade. Eu mesma trabalhei na Academia de Ciências e Humanidades Berlim-Brandeburgo, onde está sendo preparada a edição histórico-crítica das Obras Completas de Marx e Engels, a Mega (Marx-Engels Gesamtausgabe).
De modo que aprecio o enorme trabalho que traz consigo um projeto dessa natureza. Mas o objetivo dos protestos contra a decisão da Lawrence & Wishart não é deixar “sem salário os trabalhadores da cultura, como editores, gráficos e escritores”. A petição que contribui para organizar não discute os direitos autorais da Lawrence & Wishart.
Isso, com certeza, é verdade. Eu mesma trabalhei na Academia de Ciências e Humanidades Berlim-Brandeburgo, onde está sendo preparada a edição histórico-crítica das Obras Completas de Marx e Engels, a Mega (Marx-Engels Gesamtausgabe).
De modo que aprecio o enorme trabalho que traz consigo um projeto dessa natureza. Mas o objetivo dos protestos contra a decisão da Lawrence & Wishart não é deixar “sem salário os trabalhadores da cultura, como editores, gráficos e escritores”. A petição que contribui para organizar não discute os direitos autorais da Lawrence & Wishart.
A questão é que a maior parte das edições em inglês das
Obras Completas foi produzida primeiramente pela editora Progreso em Moscou,
como um projeto estatal da União Soviética, até que esta entrou em colapso no
ano de 1991. A Lawrence & Wishart, historicamente associada com o partido
comunista britânico, é o legatário desse investimento soviético.
Sua decisão produziu uma onda de protestos, duas petições receberam o apoio de milhões de signatários em todo o mundo, e existem ações levantar esse tema entre os sindicatos britânicos.
Sua decisão produziu uma onda de protestos, duas petições receberam o apoio de milhões de signatários em todo o mundo, e existem ações levantar esse tema entre os sindicatos britânicos.
Clicando aqui você confere o Arquivo Marxista da internet em português.
Entre os signatários da petição na qual colaborei, existem proeminentes
pesquisadores marxistas que vivem no norte (Jacques Bidet, Alex Callinicos, Bob
Jessop, Michael Heinrich, Michael Löwy, David McNally, Helena Sheehan) e no sul
(Ricardo Antunes, Abelardo Mariña Flores, Vijay Prashad), colaboradores da Mega
(Kevin Anderson, Michael Krätke, Rolf Hecker), intelectuais críticos (Stanley
Aronowitz, Timothy Brennan, Rashmi Varma, Hilary Wainwright), economistas
heterodoxos (Guglielmo Carchedi, Doug Henwood, Steve Keen, John Weeks), e
figuras culturais radicais (Pat Kane e Michael Rosen).
A natureza contraproducente da decisão da Lawrence &
Wishart foi evidenciada pelo aparecimento de réplicas do site original do MIA e
pelo envio de versões em PDF da totalidade das Obras Completas que estavam
online. Os editores dizem agora que foram “surpreendidos pela resposta online”
e estão “considerando o que podemos fazer para satisfazer o desejo de um melhor
acesso”. Essas notícias são boas, e estimularemos a Lawrence & Wishart e o
MIA para que cheguem a um acordo. Mas esse acordo deve incluir a restauração do
acesso livre e online às Obras Completas no site do MIA. Não é o momento de
privatizar Karl Marx. (cartamaior)
(publicado no The Guardian – tradução para o espanhol do POLITIKA)
(publicado no The Guardian – tradução para o espanhol do POLITIKA)
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