29/05/2009

Pichações. “Intervenção estética” que infesta as cidades

É possível que haja alguém que goste ou ache esteticamente belas, as pichações que “decoram” as ruas e praças por onde passa.
Independente dos “achismos”, elas se alastram por todas as grandes e médias cidades do país e, com certeza, os proprietários dos imóveis usados como suporte para essa “arte”, não devem estar entre os maiores entusiastas do gênero.
Não. Não é um fenômeno novo e muito menos invenção nacional. Sua origem remonta ao período 1969-1970, em Los Angeles (EUA) quando tomou as ruas como demarcação na disputa de território por gangues do tráfico de droga.
A partir daí, 1970-1980, com o surgimento do computador, ocorreu a digitalização dos caracteres e sua disseminação pelo mundo. Hoje, o Brasil é referencia internacional, e as nossas “criações” já fazem parte da pauta de exportações do país.
Mas, o que move ou motiva esses “interventores ocultos” do espaço urbano?
O crescimento rápido das cidades trás componentes ou adereços graves de alienação,despersonalização” e marginalização, etimologicamente falando, de grandes segmentos da população, e a transgressão – através das pichações – seria uma forma de se fazer notar, de marcar a sua presença, de individuação mesmo.
Seria, também, uma ruptura com os órgãos e instancias públicas e administrativas, cuja relação convencional seria intermediada pelo voto, já que não se sentem nem representados e nem parte efetiva dessa cidade construída à sua revelia.
A intervenção que fazem pela cidade é claramente agressiva, e parece conter um propósito de destruição, pelo menos metaforicamente.
Como então restabelecer a ponte – se é que tenha existido – com estes segmentos?
Iniciativas nesse sentido, como a repressão ou a liberação de espaço público delimitado, serviu ao “grafite” que acabou se institucionalizando como arte e, no final não deram qualquer resultado.
E você, o que acha que deve ser feito? É difícil ficar alheio a isso, não acha?
Faça um comentário e dê a sua opinião.

2 comentários:

Jorge Alberto disse...

Em relação ao Grafite, eu ainda fico com aquela cena do Monty Python, em " A Vida de Brian", quando o centurião ensina o pichador a escrever corretamente o latim.

Abraços.

PauloAthayde disse...

É, ultimamente o conceito de arte anda meio fluídico e, no mínimo, controvertido.